quinta-feira, 16 de outubro de 2008

"Acossado": importante com certeza, mas "apenas" importante

Godard praticamente criou o cinema que se chama hoje por "moderno". Câmera no ombro, intermináveis planos-seqüência, improvisação total às vezes e mais um monte de coisas modernosas. Sem pestanejar, um dos diretores mais importantes de todos os tempos. E "Acossado"(À bout de souffle, 1960) é marco do início de toda esta revolução.




Jean Seberg


A primeira vez que o vi, e foi o primeiro que vi dele, pensei:"realmente, para a época deve ter sido revolução total!". Mas "só" isso. Quem é cinéfilo sabe: há aqueles filmes que você entende a importância para a sétima arte, às vezes gosta, às vezes não; e há aqueles que você realmente gosta, aqueles que dá aquela vontade de assistir várias vezes. Godard muitas vezes se encaixa na primeira opção para mim. "Acossado", um marco da nouvelle vague, é realmente bom e quebrou vários paradigmas, mas em certos momentos é insuportável! Aquele blábláblá interminável (por muitas vezes intelectualóide) simplesmente não me conquista. Questão de gosto mesmo. Assistir àquilo com sono é dormir na certa. Nem estou citando "Pierot le Fou" e outros tantos exemplos. Mas isso não quer dizer que todas as vezes que as personagens de Godard abrem a boca (e elas o fazem bastante), eu já não suporto o filme.



Antes de me crucificarem, vou deixar bem claro que "Acossado" é um dos filmes mais importantes de todos os tempos, sem sombra de dúvida. Mas em certos casos, importância não é ligada ao gosto, como já dito pela pessoa que vos escreve. Pra falar a verdade,"Alphaville" (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, 1965) é um dos meus preferidos (viva a subversão!), e é um autêntico Godard. "O Desprezo"(Le Mépris, 1963) é fantástico, e tem vários aspectos godardianos (isso existe, né?). "Bande à part"(idem, 1964) eu curto bastante. E você pensa: "Mas eles têm tudo o que ele não gosta no Godard!". Pois é, gosto é gosto, e estou com preguiça de explicar porque gosto tanto dos citados. Quem sabe mais tarde.



Se for para ficar na nouvelle vague, fico com Truffaut e Resnais, mais diretos e com carreiras mais regulares, isso você vai ter que concordar.



É isso.

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