quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Rock 'n' Roll High School

Yeah! This is Ramones!

Esquecido filme high school de 1979, Rock 'n' Roll High School, de Allan Arkush e produzido pelo lendário Roger Corman (A Pequena Loja dos Horrores), é pura diversão descompromissada. E com os Ramones! Se Detroit Rock City (idem, 1999) goza de certa fama, Rock 'n' Roll High School goza de estar num certo limbo, ao menos para os brasileiros.







A Vince Lombardi High School foi tomada pelos alunos. A cena de abertura, antológica, mostra a protagonista Riff Randall (P. J. Soles) colocando Sheena is a Punk Rocker nos auto-falantes e todos os alunos dançando no pátio. Para consertar a situação, Miss Togar (Mary Woronov), uma velha ranzinza com dois capangas idiotas (hilários!), é contratada. Mas ela vai ter muito trabalho pela frente, pois o motivo de tanta desordem é o quê?! O ROCK'N'ROLL! Numa cena inesquecível, Miss Togar até usa um Rock-o-meter, instrumento que usa um rato (!) para medir o nível de rock'n'roll das músicas (!!); e o instrumento, é claro, tem os Ramones no topo da medição, e é justo a banda que fará um show na cidade nos próximos dias. Riff, que tem uma música para mostrar a eles (dá para imaginar qual, não?), acampa na fila dos ingressos perdendo três dias de aula e convocando todos os alunos, numa atitude contestadora às medidas de Miss Togar, a comparecer ao show. E Miss Togar fará de tudo para os impedir e colocar ordem na escola.

Dá pra imaginar a narração de Sessão da Tarde: "essa galerinha adora rock'n'roll e vão aprontar as maiores confusões!". O que já daria uma boa sessão nostalgia, fica melhor ainda porque tem rock'n'roll no meio, mais especificamente Ramones. Se já é ótimo para quem não é fã, para quem é, melhor ainda.

Se os Sex Pistols eram niilistas e continham forte crítica social, o Ramones queria mais se divertir, até englobando a crítica com diversão (Gabba-gabba hey!). E com um roteiro e direção que não têm medo de cair na bobeira, com piadinhas infantis, humor frívolo, etc., tudo fica maravilhoso! Cai como uma luva para a banda. É até estranho: eu, uma pessoa que reclama tanto dos enlatados que subestimam minha pouca inteligência, adoro um filme como esse, com um humor que pode parecer para alguns até idiota.

Então não fique esperando profundidade, porque a intenção aqui é divertir. E isso Rock 'n' Roll High School o faz muito bem, sem pretensões e tendo ciência de seu estilo, ou seja, sem subestimar seus neurônios.

Afinal, It's only Rock'n'Roll.

"Acossado": importante com certeza, mas "apenas" importante

Godard praticamente criou o cinema que se chama hoje por "moderno". Câmera no ombro, intermináveis planos-seqüência, improvisação total às vezes e mais um monte de coisas modernosas. Sem pestanejar, um dos diretores mais importantes de todos os tempos. E "Acossado"(À bout de souffle, 1960) é marco do início de toda esta revolução.




Jean Seberg


A primeira vez que o vi, e foi o primeiro que vi dele, pensei:"realmente, para a época deve ter sido revolução total!". Mas "só" isso. Quem é cinéfilo sabe: há aqueles filmes que você entende a importância para a sétima arte, às vezes gosta, às vezes não; e há aqueles que você realmente gosta, aqueles que dá aquela vontade de assistir várias vezes. Godard muitas vezes se encaixa na primeira opção para mim. "Acossado", um marco da nouvelle vague, é realmente bom e quebrou vários paradigmas, mas em certos momentos é insuportável! Aquele blábláblá interminável (por muitas vezes intelectualóide) simplesmente não me conquista. Questão de gosto mesmo. Assistir àquilo com sono é dormir na certa. Nem estou citando "Pierot le Fou" e outros tantos exemplos. Mas isso não quer dizer que todas as vezes que as personagens de Godard abrem a boca (e elas o fazem bastante), eu já não suporto o filme.



Antes de me crucificarem, vou deixar bem claro que "Acossado" é um dos filmes mais importantes de todos os tempos, sem sombra de dúvida. Mas em certos casos, importância não é ligada ao gosto, como já dito pela pessoa que vos escreve. Pra falar a verdade,"Alphaville" (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, 1965) é um dos meus preferidos (viva a subversão!), e é um autêntico Godard. "O Desprezo"(Le Mépris, 1963) é fantástico, e tem vários aspectos godardianos (isso existe, né?). "Bande à part"(idem, 1964) eu curto bastante. E você pensa: "Mas eles têm tudo o que ele não gosta no Godard!". Pois é, gosto é gosto, e estou com preguiça de explicar porque gosto tanto dos citados. Quem sabe mais tarde.



Se for para ficar na nouvelle vague, fico com Truffaut e Resnais, mais diretos e com carreiras mais regulares, isso você vai ter que concordar.



É isso.

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